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As coisas boa da vida

março 18, 2011

À medida que envelheço, eu percebo que as coisas boas da vida estão ficando mais simples, menos complexas e consequentemente mais baratas. Anos atrás, descobri o prazer de viajar, aprender história e a cultura de outros países e ao mesmo tempo relaxar, aproveitar a vida e sair da minha rotina diária (casa, trabalho, trabalho e casa). Como não sou rica, viajo com poucos recursos financeiros e, ao longo dos anos, aprendi que não preciso de muito dinheiro para aproveitar o que a vida tem de bom – hotéis de luxo, cassinos e restaurantes caros não estão em minha lista de prioridades.

No ano passado fomos visitar a família de meu marido em Cape Cod, uma região próxima a Boston. O plano era chegar de avião logo cedo em Boston, passar o dia na cidade, a noite assistir a um jogo de baseball para então seguir para Cape Cod. Nós tínhamos o período da manhã livre para passear ou simplesmente não fazer nada e decidimos ir para o parque público do Minute-man, situado em Lexington (a aproximadamente meia hora de Boston), região histórica onde ocorreu uma das primeiras batalhas da independência americana.

A família do meu marido iria passar a tarde conosco e enquanto eles não chegavam nós acabamos tirando uma soneca na grama do parque (não queríamos pagar diária de hotel para poucas horas uma vez que nosso orçamento é curto). O dia estava bonito, o céu azul, o sol proporcionava uma temperatura adequada e a grama estava úmida e geladinha. Estendemos a toalha na grama e minutos depois estávamos descansando por algumas horas. Eu admito que nunca imaginei dormir num parque público, mas nosso cansaço era grande e ao sentar na grama não resistimos e acabamos caindo no sono ali mesmo. Famílias passavam por nós carregando filhos e cães de estimação, grupos de turistas se agrupavam em torno de um guia para escutar as histórias do local, crianças brincavam de bola na grama, enquanto nós passávamos a manhã relaxando e observando as pessoas e o movimento a nossa volta. Custo zero para nossos bolsos.

Em Veneza, ao invés de optarmos por fazer um passeio de gôndola de mais de U$ 50,00 por pessoa, nós passeamos de vaporetto (espécie de barco-ônibus) da estação de trem até a Praça São Marcos, passamos pelo Grande Canal, vimos prédios e palácios de tirar o fôlego e pagamos poucos euros pelo passeio.

Em Roma, meu passeio predileto é passear pelas ruelas da cidade enquanto saboreio um sorvete de casquinha vendido em uma das inúmeras sorveterias da região. Na última vez que estivemos por lá, por causa da diferença de horários, nós fomos dormir cedo demais e quando eram 11h30 da noite estávamos acordados. Da janela do nosso quarto, pude ver que havia gente passeando pela cidade, crianças em carrinhos e pessoas de idade caminhando lentamente pelas ruas. Eu comentei que deveríamos sair e que parecia seguro, então trocamos de roupas e fomos direto para a Piazza di Spagna, onde entrei no McDonald’s e comprei um sorvete de copinho e saímos para explorar a cidade juntamente com todos os italianos e turistas. Foi uma das noites inesquecíveis que tive, retornamos ao hotel só às 4h da manhã, as ruas estavam cheias de carros e pessoas se divertindo em bares e restaurantes. A expressão em inglês “bar-hopping” significa beber em vários bares que você os alcança andando; eu costumo dizer que naquela noite nós fizemos uma “piazza-hopping”, íamos de piazza em piazza, sentávamos, conversávamos e observamos as pessoas a nossa volta. Custo do passeio: poucos euros pelo sorvete do McDonald’s.

Assim que chegamos em Atenas, anos atrás, após 24 horas de viagem, decidimos que não deveríamos dormir, mas sim começar a aproveitar a cidade apesar de estar anoitecendo. Fomos à região da Acrópole. O Parthenon estava iluminado, porém fechado, então decidimos sentar no Monte Marte a apreciar a bela paisagem da cidade grega à noite. Toda iluminada ali aos nossos pés, o vento era agradável e refrescante, e o mais impressionante de tudo foi quando lembramos que naquele exato local o Apóstolo Paulo fazia sermões sobre Jesus Cristo aos atenianos quase de 2000 anos atrás! Deu até um arrepio na pele ao pensar que ele esteve naquele local um dia. Novamente o custo de uma noite agradável foi zero e até tivemos uma longa e agradável conversa relembrando  a história da vida do Apóstolo Paulo.

Em Londres, por que gastar mais de 20 libras por pessoa para visitar o Museu de Cera da Madame Tussauds e ver bonecos de celebridades, se o Museu Britânico tem uma enorme coleção egípcia de deixar o nosso queixo caído além de exibir a pedra Rosetta e tem a entrada gratuita?

Não é muito difícil encontrar atividades que sejam prazerosas e que tenham custo praticamente zero quando você está viajando em férias e tem um orçamento limitado, basta ter um pouco de imaginação e fazer pesquisas sobre os locais a serem visitados que as opções logo aparecem e você se sentirá parte desse mundo.

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From → Papo de Viajante

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