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Viajar de Trem

outubro 8, 2009

 Em todas as minhas aventuras não conheci melhor forma de transporte do que viajar de trem pela Europa e em alguns casos nos Estados Unidos. Viajar pelos trilhos supera o transporte aéreo em vários sentidos: maior conforto, sem complicações de segurança, ganho de tempo (não é preciso chegar à estação com 2 horas de antecedência ou esperar para recolher a bagagem que não é extraviada), além disso, ver a paisagem de uma região pela janela é como ver a vida passando em sua frente, é de encher os olhos e o espírito do viajante. O trem supera o carro porque é menos cansativo, não é preciso ter um motorista, não é necessário ter um “co-piloto” para ajudar com os mapas, você nunca se perde, é possível andar pelo vagão e esticar as pernas. A maior vantagem deste estilo de viagem é a oportunidade de conhecer pessoas e fazer novas amizades. Em minha primeira viagem à Europa o maior nível de integração que tive com pessoas de outras culturas foi dentro de um trem, lembro-me de ter conversado com viajantes de vários locais e até troquei e-mails com alguns deles com os quais mantive contato por um longo tempo. Isso é muito valioso durante um passeio ao exterior. Vivenciar a cultura de outros países inclui se comunicar com moradores de outras regiões e o trem proporciona a integração de um modo perfeito. Apesar de todas estas vantagens, já li várias vezes sobre viajantes que preferem as rodovias da Europa por uma questão de economia. Em algumas situações alugar um carro e dividir as despesas com os companheiros pode ser mais barato do que o trem, mesmo assim sou a favor de que todos façam um esforço maior e utilizem o sistema ferroviário europeu e americano (para longas distâncias as companhias aéreas “low cost” nos Estados Unidos pode ser a melhor opção). Minha primeira viagem de trem foi de Araçatuba-SP a Valparaíso-SP muito anos atrás quando era criança. Lembro-me que os assentos eram de madeira, o trem barulhento, chacoalhava muito e andava devagar, mesmo assim, gostei da experiência: sentar na janela, ver os pastos, o gado, e o dia com o céu azul. Foi muito animador! Minha próxima aventura seria anos depois para atravessar o canal da Mancha entre Bruxelas e Londres. Tinha lido dicas de como utilizar as ferrovias européias, sobre as estações, tempo para embarque e desembarque, sobre como usar o Europasse, etc. Achei que estava preparada para encarar o desafio de pegar um trem mas tudo que poderia dar errado aconteceu! Começou pelo fato de estar na estação errada em Bruxelas. Mesmo tendo em mãos o Europasse, desperdicei dinheiro com a compra de outro bilhete para a estação correta. Meu tempo estava se esgotando para chegar no horário de pegar o Eurostar. Onde estava não havia escada rolante ou elevador para ajudar com as malas. O nervosismo e a insegurança somente aumentavam a cada minuto. Felizmente durante esta jornada do “primeiro trem na Europa” só passaram pelo meu caminho pessoas boas que me ajudaram bastante com instruções e informações, até consegui uma ajuda com a mala da minha mãe quando estávamos descendo as longas escadarias! Ao entrar no Eurostar senti um grande alívio por ter conseguido pegar o trem certo e na hora certa. Com o passar do tempo, muita observação e informação aprendi a utilizar as ferrovias. Hoje, na Europa, procuro viajar de trem em todas as oportunidades, exceto em alguns países ou ilhas que não possuem um sistema adequado. Nos Estados Unidos meu trecho favorito é entre Anaheim (sul de Los Angeles) e San Diego (Califórnia). Se você for fazê-lo, vá durante o dia. Os trilhos passam ao longo do Oceano Pacífico durante a maior parte do percurso, o trem é confortável, com ar condicionado e é possível ver pela janela o estilo de vida californiano que é bem diferente do brasileiro: surfistas na praia usando roupa de mergulho (a água do Pacífico é gelada), pessoas caminhando pela praia de roupa e tênis, cachorros de estimação brincando na areia, jovens jogando vôlei ao invés de futebol de areia, BMWs e Mercedes conversíveis por todos os lados, etc. É uma viagem muito relaxante e proveitosa. Quando chegar em San Diego observe como é bonita a estação em estilo espanhol. Se escolher viajar de trem, meu conselho é, durante a fase de planejamento, certifique-se qual a sua melhor opção considerando seus recursos financeiros, a duração das férias e as distâncias a serem percorridas. A compra de um passe vale a pena se você for visitar vários países e cidades por um longo período. A compra dos bilhetes por trechos é mais vantajosa se você for visitar poucas cidades ou próximas umas das outras. Um bom agente de turismo poderá ajudá-lo na escolha da melhor forma. Durante a viagem para os EUA e Europa leve em consideração as seguintes dicas: 

–  Certifique-se que está na estação correta: geralmente cidades grandes possuem mais de uma estação. 

–  Chegue à estação com antecedência, principalmente se tiver que comprar seu bilhete: o tamanho das filas é imprevisível. 

– Se tiver um passe na Europa verifique se precisa marcar o assento, geralmente na tabela de horários há o símbolo “R” próximo ao número do trem: este “R” indica que é preciso fazer reservas. 

– Certifique-se que está na plataforma correta. Ao entrar no trem fique no vagão que lhe foi destinado. 

– Mesmo que esteja preocupado com trens e horários de embarque, tire alguns minutos para apreciar as estações: quase sempre a arquitetura destes prédios é linda.

– Pense bem se vale a pena dormir no trem durante viagens longas. Não tive uma boa experiência na primeira e única vez em que dormi nas “couchettes”. Foi entre Nice e Barcelona. As camas não são confortáveis, o trem chacoalha, pessoas entram e saem das cabines o tempo todo e o risco de não ter uma boa noite de sono é alto. Ao percorrer um trecho muito longo considere fazer uma parada no meio do caminho e visite alguma cidade interessante para continuar a sua jornada no dia seguinte. No trecho acima poderia ter parado em Montpellier na França que é uma cidade charmosa e no dia seguinte seguiria para Barcelona. O avião pode ser uma opção, mas leve em conta que perderá uma paisagem linda no caminho! 

–  Traga lanche, água e refrigerante: os preços destes itens podem ser caros no vagão-restaurante caso o trem tenha um.

-Mantenha suas malas ao alcance dos seus olhos

Costumo dizer que viajar de trem me faz sentir parte deste mundo e sempre encorajo todos a viverem esta experiência!

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